Num bate papo informal que rolou no twitter no início de janeiro, surgiu a idéia de juntar a quilometragem de todos os twitterunners e ver até onde chegaríamos caso fosse uma viagem. Levemente inspirado no desafio Nike 600k, porém mais com a nossa cara: sem essa de pace mínimo e nem passar noites acampados por aí. Simplesmente somar as distâncias e viajar na idéia.
Terminado o mês de janeiro, os twitterunners provaram que resistem até mesmo ao calor infernal (no caso do Rio) e às chuvas (no caso de São Paulo) em nome de seus treinos. Com a quilometragem somada de todos, alcançamos a distância de 1729km, o suficiente para cobrir a
distância entre o Rio de Janeiro e Salvador. Nesta viagem hipotética, a fase de longões de @marcelolreis, @dlsports, @pattynpeixoto e @faraco e o tarado-mor (por corridas) @xaxinho nos deu boa autonomia pra chegar a tempo do pré-carnaval em Salvador.
Como nem todos são fãs de carnaval, sobraram quilômetros suficientes para que @mancinisandro e @fernandamancini fossem com a filhota pra um bom hotel no Sauípe. Enquanto isso, @priparj, @draliz, @outlawgirl e @renata_lino ficaram conferindo as manifestações culturais no Pelourinho. Já @stellarv preferiu outros pontos turísticos tradicionais da cidade, como o elevador Lacerda e as escadarias do Bomfim. O resto da galera (@liviaforte, @leosv26, @paularunning, @fbergamo, @renatafialho e @whitecast) preferiu curtir uma praia na Linha Verde, aproveitando a água morna e cristalina da região. Morna e cristalina? Pois é, eu preferi pegar um barco e mergulhar nos naufrágios da região
Mês que vem tem mais viagem, e a promessa de uma viagem ainda mais
longa. Vamos ver se a folia carnavalesca vai atrapalhar ou não a nossa autonomia.
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Fiz uma boa reposição de líquidos e comi coisas leves e saímos de São Bernardo (casa do meu amigo Fred) rumo ao metrô (onde deixamos o carro). No percurso São Bernardo- Metrô Ana Rosa- Metrô Masp/Paulista demoramos uma hora somente. Chegamos na “festa” 15 horas. Na área da largada havia ainda espaço para a turma de 5 min/km a 6 min/km. Não iria adiantar muita coisa, mas fiquei por ali mesmo mais de uma hora. Foi bom que o espaço facilitou a circulação dos fantasiados e figuraças que iriam correr a São Silvestre. Não dava para alongar, nem aquecer. O calor da largada já me fez cozinhar.
A largada foi às 16:45h. Já não estava tão quente. Havia uma brisa e em alguns momentos vento forte por causa dos corredores formados pelos prédios altos. Caminhei um bom tempo e comecei a trotar. A primeira descida ajuda a dispersar o povo, mas em todos os 15 km fiquei desviando dos que se cansavam no início, meio e na subida final. Fechei o primeiro km em 5 min e 45 seg. A descida ajudou. Tentei manter esse pace sem me afobar. Mas as descidas me impulsionavam e fechei os primeiros 3 km em 15 minutos cravados. Resolvi segurar mais e fui ao lado de meu amigo Fred (iniciante – primeira prova e nunca havia corrido mais de 8 km). Combinamos ficar entre 5:20 e 5:45 min/km até o km 10. Olhei para o relógio e já havia 54 minutos de prova. Conseguimos e ainda bem.
Quando fizemos a curva no km 13 mais ou menos, olhei para frente e já fiz o sinal da cruz. Uma subida não muito íngreme mas longa, em um único retão. Fui desviando das pessoas e tentei olhar para baixo e fui num embalo só, sem me afobar. Quando chegamos ao topo, eu ainda tinha músculos, mas o fôlego já comprometido. Ainda bem que faltavam uns 400 metros e era de descida. Terminei a prova sorrindo. Sem me cansar e satisfeita num tempo de 1 hora e 24 min ( 15 km e 800 metros). Havia muita gente assistindo nas ruas nos 15 km. As pessoas nos prédios jogavam papel picado, e as pessoas das casas davam banho de mangueira na gente. Era legal passar perto da calçada batendo nas mãos da molecada de rua. A vibe é incomparável. Acabou a prova, troquei de roupa no aeroporto mesmo e voltei para casa! Descanso merecido!
Em paralelo, como uma boa rede de relacionamento, o grupo cresceu e apareceu. Outros corredores twitteiros se agregaram ao nosso grupo, e engrossaram o caldo das nossas conversas (seja no twitter, seja numa lista de discussão por email). E mais do que trocar experiências de corrida, treinos, marcas de tênis, etc; formou-se um grupo de amigos. Sentimento esse que foi um grande motivador para que todos corressem mais e melhor, por que não? Com o tempo, quem trotava quis correr um pouco mais, quem corria um pouco mais quis correr muito mais, e quem corria só pela farra e pelo visual, começou a se viciar nas provas (sim, estou falando do meu caso, pra quem leu 
Meu caso é um pouco diferente destes dois cenários: comecei a correr por obrigação. Meu esporte de origem é o remo, e correr é parte da preparação física desde a época que o esporte era mais popular que o futebol (põe tempo nisso!). Então para aquele moleque gordinho de 15 anos não tinha escapatória: volta na Lagoa! Por falta de hábito e de jeito, correr era um suplício. Mas como para quase tudo tem um lado bom, ao menos me distraía com a paisagem, especialmente ao raiar do sol. Com o ganho de preparo físico, as distâncias foram aumentando, e com elas vieram novas paisagens, como a praia de Ipanema e o mirante da Vista Chinesa.


